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Cavalheiro e Cavaleiro

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Caros Cavalheiros, estou muito feliz com o lançamento dessa nova ferramenta para propagarmos nossos textos e novidades. Creio que o site do Cavalheirismo surge num ótimo momento. O Cavalheirismo é um dos poucos sites, feitos no Brasil, de homem para homem. Aqui não temos frescuras, procuramos o caminho da virtude e o apoio necessário para vencer a luta de cada dia que todo homem enfrenta.

Inaugurando o site,posto abaixo uma excelente conversa que tive com um amigo muito caro, um homem do antigo regime, que tive a sorte de conhecer e que exemplifica toda  a filosofia da nossa página e nosso site, um exemplo de Cavalheiro e cavaleiro. 

 

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Sr. Edinaldo Chaves do Engenho de Fogo Morto.

Cavalheirismo-Caro Edinaldo Chaves, mais uma vez gostaria de agradecer sua disposição em colaborar com o Cavalheirismo. Mesmo em meio a tantos trabalhos e ocupações do engenho, o senhor reservou um tempo para responder a esta entrevista, que inaugura a nova fase do site, o que é uma grande honra e motivo de alegria para nós. Conte-nos um pouco da história de sua família, que em muito se confunde com a História do Brasil. 

Edinaldo-Venho de uma família que tem raízes profundas nessa terra. Estamos aqui desde 1630, portanto há 384 anos. Participamos da luta pela identidade nacional em vários momentos da História. Meu nono avô, o Fidalgo Cavaleiro Manoel Rodrigues Pereira, armou com recursos próprios um vaso de guerra e veio participar da luta que expulsou os Flamengos do Nordeste.

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Monograma da Família Sr Edinaldo

Cavalheirismo-Como é para o senhor, que recebeu tantos bons costumes, coleções e objetos de herança de seus antepassados, ver que hoje a maioria dos jovens e adultos não possuem nenhuma conexão com seu passado ou com o de sua família. Sei que o senhor tem verdadeiras raridades, que mostram os cuidados que os seus antepassados tiveram em lhe transmitir. Vendo a sociedade hoje, o senhor pensa que são só os objetos que não são mais transmitidos ou os valores também não? Qual a importância da herança em uma sociedade tão descartável? 

Edinaldo-Moro em um Engenho de Fogo Morto, sou produtor de cana-de-açúcar em terras que são nossas há sete gerações. Fui educado nos moldes do século passado, não sou dado a modismos e acho que princípios são imutáveis. Hoje, infelizmente, a Educação foi transferida aos colégios e estes não mais educam, simplesmente preparam para vestibulares. Considero nosso País sem memória e, assim, sem perspectiva de futuro. Já não me preocupo com isso, pois vejo que vivemos a política dos três I´s: inócuo, inerte e inútil.

Cavalheirismo- A página do Cavalheirismo sempre traz textos e reflexões sobre como o homem deve se construir, se educar e procurar se destacar por suas virtudes e valores, que vão desde a forma de se vestir, até mesmo à forma de tratar uma dama. Muitos jovens pensam que isso é besteira e que tais atitudes e vestimentas só têm sentido se viverem em um castelo. Porém vejo que no seu cotidiano, no trabalho da fazenda e do engenho, o senhor sempre procura estar paramentado como um verdadeiro cavalheiro. O senhor acha que é possível um homem enfrentar todas as tendências modernas que o destrói? Qual a importância disso na sua vida?

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Alguns itens do Sr. Edinaldo. Tabaqueiras e Cachimbos.

Edinaldo-Tenho hábitos um tanto inadequados para os tempos actuais: gosto de música erudita, vinhos, livros e cachimbos. Ainda sou daqueles que se levantam em frente a uma mulher, que lhe abre a porta de um carro e que acha que, mesmo elas tendo conquistado um espaço de igualdade entre os homens, merecem ser tratadas com a educação e a cortesia que lhes faz jus. Saio pouco do Engenho, gosto de solidão e do aconchego da família. Procuro passar aos meus netos o que aprendi: a nobreza é irmã da humildade e adversária da prepotência, mas jamais se pode ser subserviente. Há só duas razões para um homem dobrar os joelhos: o sagrado nas Igrejas ou diante da Majestade de um Monarca. E, a propósito, sou Monarquista convicto.

Cavalheirismo-Quais objetos e acessórios o senhor acha importante e carrega todos os dias?

Edinaldo-Bem, como já disse, não sou dado a modismos. Acho que um homem deve ser sóbrio no vestir. Uso chapéu, tanto no campo como na cidade, uso relógio de bolso, o mesmo usado por meu avô, faço uso do colete habitualmente e ainda uso abotoaduras. Um objeto indispensável no meu cotidiano é a tabaqueira, pois sou usuário do rapé. Não uso carteira, prefiro um grampo em ouro que meu avô usava como porta-cédulas. Uso um anel de família, monogramado e com nosso lema heráldico: Fidus Perseverum Labor. Uso os mesmos óculos há 30 anos e não saio de casa sem um porta-cachimbo, um Zippo e a mesma caneta, uma Parker 21. No automóvel sempre carrego um guarda-chuva e uma bengala com castanho em prata, que pertenceu ao meu trisavô, pois há 20 anos sofri um acidente que me deixou nove meses sem andar e tenho dificuldade em subir escadas. Uso suspensório, detesto me sentir preso (risos). Acho que, apesar do clima tropical e do calor, um homem só está bem vestido se estiver de paletó, no mínimo um blazer. Não gosto de cintos e meu caríssimo amigo também não, estou certo ou estou errado? (risos).

 

10390427_10201137629121218_7958709896210217782_nCavalheirismo-Dentro da fazenda existe uma relação de amizade e respeito entre o senhor e seus animais. Isso sempre me admirou muito, a começar pelos cavalos, que são encantadores. Como sou também do interior e ao ler alguns autores percebo que o homem matuto do campo sempre aprende alguma virtude com o exemplo das criações de animais. Como é essa relação para o senhor?

Edinaldo-Tenho paixão por cavalos, pela nobreza desses animais que ajudaram a escrever a História da humanidade. Não conheço outra criatura mais fiel. É com eles, em cavalgadas solitárias, que busco o equilíbrio para enfrentar os estresses dos dias de incertezas que vivemos.

Cavalheirismo-Além do gosto pela nobre arte do cachimbo e pela leitura, o que mais lhe agrada na hora de descanso e recreação?

Edinaldo- Sou adepto do cachimbo, fumo desde 1975 e tenho uma coleção com 143 peças. O pipo é um convite à reflexão: em suas espirais voláteis se condensam pensamentos. Quanto ao tabaco, sou Latakiano, não mudo. Bem, se tivesse que me definir hoje, diria que nasci no tempo errado. Sou um velho com sonhos jovens; sonho com o retorno da educação, do respeito, da ética e do cavalheirismo.

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O belo quintal do Sr Edinaldo, um canto de paz e reflexão, com boas leituras. Uma caninha artesanal  e fumando em seu cachimbo um forninho de Latakia!

 

4 Comentários para: “Cavalheiro e Cavaleiro

  1. Isso que é a vida… meu amigo, vou te dizer, daria tudo para ser um homem do campo. Largar as coisas do escritório e cair para um sítio, cultivar a terra, ouvir os pássaros e sentir a brisa dos ventos… Criar uma família longe desse cidade asquerosa que é São Paulo.
    Vida longe ao sr. Ednaldo, um cavalheiro a moda antiga.

  2. Márcia Machado. 10 de Junho 2016

    Que privilégio viver assim, livre com a natureza, cavalgar sentindo o cheiro da terra…
    Maravilhoso.

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