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Lenços de pano, cavalheirismo e praticidade.

        
Se falarmos sob o ponto de vista da sensibilidade e da praticidade, não existe nada que se compare a portar um lenço. Sim, lenço de pano, desses que não vemos mais no dia a dia e que as pessoas torcem o nariz quando dizemos que o usamos. Isso ocorre devido à onda do “politicamente correto”, que fez sumir os cavalheiros de verdade e, com eles, seus lenços, os quais enxugavam as lágrimas das donzelas ou que serviam para uso próprio, secando o rosto nos dias quentes.
            Em primeiro lugar, quero ressaltar que com este texto não quero trazer a discussão se lenços de pano são mais higiênicos que os de papel. Por outro lado, é preciso dizer que nenhum homem está obrigado a andar por aí com uma caixinha florida escrito “Lenços e papel”. Logo, quero discutir sobre a eficiência e utilidade dos lenços de pano no cotidiano, além de mostrar algumas razões para que ninguém mais lhe perturbe por ter um lenço de pano no bolso. Os lenços de pano carregam com eles atos de boas maneiras e de educação que foram esquecidos junto com eles.
            As mulheres sempre estão equipadas com um grande arsenal contra qualquer imprevisto que lhes possa ocorrer: maquiagens, espelho, remédios, etc. Porém, nós homens geralmente temos apenas o bolso para colocar tudo o que devemos levar para sobreviver… Mesmo que seja em uma ilha deserta! E eu diria que não há nada mais necessário a um homem para ter em seu bolso do que um lenço. Com um lenço você sempre terá como remediar uma situação e estar apresentável. Ele pode ser útil para enxugar suas mãos, abrir uma porta de banheiro, limpar seus óculos, ampará-lo em resfriados, estancar pequenos ferimentos e até ajudá-lo a espirrar com discrição. Além disso, em muitos casos é um ato de extrema cortesia apresentar o lenço (limpo, óbvio) para quem necessitar. Eis aí uma grande atitude cavalheiresca: ceder um lenço em perfeitas condições a uma dama que precisa, sem esperá-lo de volta.
            Gostaria de fazer alguns apontamentos. O primeiro é que os lenços são indiscutivelmente necessários. O segundo é que considero já conhecido por todos o devido cuidado no momento de se lavar os lenços e, por isso, não vou discorrer sobre o assunto aqui.
A valiosa dica dos dois lenços
            A primeira dica que podemos dar sobre lenços é: tenha sempre dois lenços, um no bolso esquerdo e um no direito. Por que isso? É simples. Um deve ser destinado a “trabalhos mais pesados” e o outro deve sempre estar pronto para situações mais simples ou servir apenas como reserva.
 O lenço do bolso esquerdo
            Não é porque o nariz de um homem escorre e coça que devemos usar os lenços de forma grotesca e nojenta. Quando se está gripado convém muito usar lenços de papel. Devemos ter o costume de manter um lenço e assoar o nariz para não ficarmos como aqueles rapazes que fungam de forma irritante e não resolvem o problema. Muitas vezes o simples ato de assoar o nariz pode trazer um certo alívio para pessoas com alergias, mesmo quando o lenço permanece limpo. O lenço de pano tem a grande vantagem de não soltar dezenas de fiapinhos de papel e de não se desmanchar quando umedecido. Alguns homens têm também o costume de usar rapé (costume grosseiro para alguns, mas, para nós, um hábito prazeroso quando usado com os devidos cuidados).
            Para essas necessidades devemos usar o lenço do bolso esquerdo. Os manuais de Urbanidades e Costumes são unânimes ao afirmar que sempre devemos levar o lenço até o nariz com a mão esquerda e manuseá-lo somente com essa mão. Isso faz com que quando formos cumprimentar outras pessoas o façamos com a mão limpa. Outro cuidado que devemos ter é o de destinar para esse fim um lenço de cor neutra escura, principalmente se formos usuários de rapé. Isso evita que qualquer sujeira fique aparente, além de ajudar a diferenciar os fins aos quais os lenços foram destinados. Por fim, Muñoz também aponta em seu livro que não devemos ficar olhando ou dobrando excessivamente nossos lenços, mas usá-los com discrição.
 No bolso direito
            Também devemos levar outro lenço no bolso direito. Recomendo o uso de um lenço da cor branca, para ser identificado facilmente e por servir para serviços mais “leves”. Devemos guardar esse lenço do bolso direito para, por exemplo, secar o rosto ou as mãos, limpar os óculos… E, quando o lenço estiver limpo, este também servirá para amparar alguma dama nos mais diversos casos.
Como usar um lenço
            Muitos podem até achar inconveniente ter um lenço no bolso esquerdo. Parece que essa juventude radical não tem capacidade mental para usar um lenço corretamente e separar seus usos, por isso o descartam. O lenço não carrega apenas costumes antiquados, mas traz várias demonstrações de educação. Como seria gentil, por exemplo, se as pessoas, ao tossir, cobrissem a boca com um lenço na mão esquerda, ao invés de fazer isso diretamente na mão. Ou se elas, em um dia de calor, evitassem o suor excessivo com um lenço, ficando apresentáveis para os demais. Costumes assim estão longe demais do mundo animal e de maneiras ásperas em que vivemos atualmente. Dizem que um cavalheiro nunca pede um lenço de volta. É outro adágio demasiado nobre para o mundo de hoje…
            Para terminar, trazemos a seguir alguns apontamentos preciosos e certeiros sobre o uso do lenço, encontrados no livro de civilidade de Muñoz, um guia para todo cavalheiro:
 (…) Deve-se também evitar bocejar, o que indica aborrecimento; quando de todo não puderes conter o bocejo, disfarça-o com o lenço ou com a mão aberta, boceja sem rumor e interrompe-te, se estava falando.
(…) Quando não puderes reter o espirro, procura valer-te do lenço ou, quando não haja tempo, da mão voltando o rosto para o lado. Caiu em desuso saudar quando alguém espirra. Estando hoje banidas as expressões: Saúde; Deus o ajude; Dominus tecum!
(…) Não imites os que coçam a cabeça, enxugam o suor com a manga do paletó ou com a mão, levam as mãos à boca, aos olhos, ao nariz e às orelhas. Para tais necessidades é que temos o lenço.
(…) Não deves tossir ou espirrar com força ou próximo às pessoas ou alimentos, flores, etc. Procura pois voltar-te um pouco e levar o lenço à boca.
(…) Assoando-te não deves fazer rumor, como som de trombeta, nem usar ambas as mãos. A ação deve ser feita com a máxima desenvoltura, sem olhar depois para dentro do lenço, nem meter os dedos no nariz como para completar a limpeza. O lenço, depois de usado, deve ser dobrado sim, mas naturalmente, não com excessivo cuidado, como se fosse guardanapo; depois, guardá-lo com presteza e não conservá-lo na mão.
Troca freqüentemente de lenço; não o ponhas sobre a mesa. Se alguém deixar cair ou esquecer o lenço em tua presença, adverti-lo-ás educadamente, mas nunca o apanharás tu mesmo.
Usem grande atenção e delicadeza, neste particular, todos os que fazem uso do rapé. É um hábito incômodo, principalmente para os outros… Estejam sempre munidos de lenços, que devem ser trocados amiúde; empreguem-nos freqüentemente, procurando prevenir a necessidade.

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